Mingalabar Myanmar!

Depois da Tailândia, segue-se o segundo capítulo desta viagem, e quiçá o que mais borboletas no estômago me deixa: Myanmar. Já tinha ouvido falar muito deste país. Da gentileza e afabilidade das suas pessoas, das paisagens magníficas ainda pouco atoladas de turistas, da sua genuinidade e autenticidade. Era um destino que não podia deixar em falta no Sudeste Asiático.

A passagem entre um país e outro foi feito por terra. Sim, claro que a viagem por via aérea teria sido bem mais confortável e rápida, mas nada se compara à sensação de, no espaço de um passo apenas, passarmos de um país para outro. Assim, ainda em Chiang Mai, foi hora de comprar um bilhete de autocarro que me levaria numa viagem de 7 horas até à fronteira com Myanmar, para uma terra chamada Mae Sot. Por volta das 20h chegava ao destino. Podia ter feito a reserva de um Hotel ou Guesthouse previamente, mas acabei por não o fazer. Sem alojamento marcado, existia apenas a referência de uma guesthouse recomendada por um outro blog de viagens. Um tuk tuk depois, estava a fazer check-in na Ban Thai Guesthouse. Nunca imaginei que pudesse ser um sitio tão agradável. O primeiro andar de um bungalow de madeira, inserido no meio de um jardim interior muito bem cuidado, num ambiente tranquilo e sossegado. Na rua que dava acesso à Guesthouse, um restaurante com boa música e comida ainda melhor por preços bastantes simpáticos, onde comi a que seria a minha última refeição em terras tailandesas.

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Na manhã do seguinte era hora de voltar à estrada. Primeiro passo: encontrar transporte até à fronteira. Alternativas não faltavam: táxi, tuk-tuk, mini-van, songthaew. As duas primeiras opções eram mais dispendiosas, a mini-van também (claramente preço para turista), pelo que restou a última opção: o songthaew (as tais carrinhas que transportam varias pessoas). Seguindo as indicações de alguns locais, o local para apanhar o songthaew em direcção à fronteira era o mercado local. Em vez dos 150 bahts cobrados pelos outros transportes, aqui aplicava-se o valor de 20 bahts por pessoa. Perfeito! Songthaew encontrado, malas carregadas no topo da carrinha sem nada a segurá-las, e toca a encher a carrinha com o máximo número de pessoas possível para fazer render o peixe. Certa de que a carrinha já estava cheia o suficiente, esta começa a parar em vários locais para apanhar ainda mais pessoas. No final, um veículo que daria para cerca de 10 pessoas transportava 20. Com boa vontade (e ganância) tudo é possível!

Passados 15 minutos estava na fronteira. Com o visto já no passaporte (tratado no Consulado de Myanmar, em Chiang Mai), o primeiro passo consistiu na oficialização da saída da Tailândia. Passaporte carimbado, foto tirada e hora de atravessar a Friendship Bridge rumo a Myanmar. Aqui havia que avançar para o primeiro guichet, o da Tourist Police. Havia que preencher os respectivos dados (nome, numero de passaporte, destino, etc) e assinar uma espécie de livro de registo destinado a todos os estrangeiros com intenção de entrar em Myanmar. Done. Hora de dar entrada em Myanmar finalmente. Mais uma folhinha preenchida com dados pessoais incluindo morada do hotel no primeiro destino no país, mais uma fotografia tirada, mais um carimbo no passaporte. Isto tudo numa espécie de contentor improvisado onde tudo era feito ao seu próprio ritmo com bastante boa disposição até. Se não tivesse já transporte marcado para Yangon, poderia ter tratado aqui também.

Vê o artigo Travessia por terra Tailândia - Myanmar para info e dicas detalhadas.

Et voilá: estava em Myanmar. Mais concretamente numa pequena povoação, com um estilo bastante próprio e característico das cidades de fronteira, chamada Myawaddy. Muita confusão, muitos motoristas de tuk tuk, táxis e afins a tentarem ganhar negócio, muitos “Hello”, sorrisos e olhares curiosos dos locais sobre os estrangeiros que escolhiam o seu país como destino de viagem. Depois de um almoço num restaurante com vista sobre o rio que separa a Tailândia de Myanmar e um passeio por Myawaddy à procura de qualquer sítio que tivesse ar condicionado para fugir aos quase 40º que se sentiam na rua (sem sucesso), chegou a hora de apanhar mais um autocarro, desta vez rumo a Yangon (a ex-capital do país). Bilhetes reservados através do Facebook da companhia que fazia o trajeto, a Shwe Mandalar, comprados no pequeno escritório em Myawaddy e toca a andar. Cerca de 10 horas depois chegava a Yangon.

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Às 3h da manhã, o autocarro parava no terminal a cerca de 17km do centro da cidade. De imediato, dezenas de taxistas rodeiam o autocarro, quase nem dando espaço para recolher as malas ou para respirar sequer. Alguma negociação depois e de 20.000 kyats a viagem passou para 10.000 kyats até à Myint Myat Guesthouse na zona da Downtown de Yangon.

E assim se dava início ao segundo capítulo desta viagem. Mingalabar Myanmar! 🙂


(“Mingalabar” é a versão birmanesa de “Olá”, mas cujo significado vai para além de um simples cumprimento, podendo ser traduzido por “Que tenhas sorte e prosperidade”.)

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