A expedição da TAO Philippines tinha não só deixado memórias inesquecíveis de praias paradisíacas, paisagens de sonho e comida deliciosa, como também uma empatia inquestionável entre todos os passageiros e tripulação. Ainda não tínhamos chegado a El Nido e já partilhávamos contactos para nos encontrarmos nessa noite para um último jantar, antes de cada um seguir o seu caminho pelas Filipinas. Entretanto, ainda no barco, em conversa com a Elodie, percebo que ela ainda não tem alojamento reservado em El Nido. Junta-se o útil ao agradável e eu ofereço-lhe uma das camas do meu quarto. Esta partilha de quarto fez-me poupar ainda algum dinheiro em alojamento que, verdade seja dita, não é nada barato em época alta em El Nido, e cuja relação qualidade-preço deixa muito a desejar… Assim, acabei por ganhar uma excelente companhia para os próximos dois dias e dar um descanso ao meu orçamento de viagem, que por esta altura já tinha sido bastante massacrado.

À noite encontrávamos-nos praticamente todos no Art Café, um restaurante/café com um estilo muito descontraído, repleto de outros viajantes. El Nido está cheio de cafés e restaurantes com esta onda descontraída, mas não é de todo uma localidade bonita ou interessante. Achei-a demasiado turistica, com demasiadas pessoas, ruas apertadas e muito trânsito. Mas é daqui que partem os barcos para os  melhores tours de island hopping, pelo que acaba por ser um destino quase obrigatório para todos os viajantes que percorrem as Filipinas.

Durante o jantar fica combinado que no dia seguinte, em vez de nos juntarmos a um dos inúmeros tours que saem diariamente da baía de El Nido, alugaríamos um barco privado para termos a liberdade de fugirmos às multidões que, por regra, seguem sempre os mesmos circuitos. Acabámos por alugar o barco através de uma escola de mergulho. No dia seguinte, saímos pela manhã bem cedo. De facto, os locais incluídos no tour são sem dúvida de uma beleza impressionante: águas de cor turquesa e esmeralda, extensões de mar atravessadas por bancos de areia branca, lagoas rodeadas por imponentes rochas escarpadas…  Mas já tinham tantos turistas àquela hora da manhã que ficava difícil apreciar devidamente o que nos rodeava. Às tantas tivemos de desistir de certos sítios e partir em busca de alguma paz e sossego.

O snorkelling é uma das atividades quase obrigatórias destes tours. E tal como na expedição de 3 dias da TAO, muitas das paragens que fazíamos serviam para nos atirarmos ao mar de óculos e  tubo na boca para observarmos de perto a vida marinha subaquática. O único problema aqui é que da vida marinha subaquática fazem também parte muitos pequenos seres gelatinosos alguns com longos tentáculos (aka alforrecas) que insistem em dar uma urticária tramada quando nos tocam na pele. No último local onde parámos eu já estava decidida a não entrar na água por nada. Estava farta de entrar em estado de semi-pânico cada vez que via uma daquelas criaturas a aproximar-se de mim lentamente. Só mudei de ideias porque me ofereceram a possibilidade de vestir um fato de surf, o que me protegeria dos efeitos do toque das alforrecas. Fato vestido e lá fui eu. 3 minutos depois já estava eu outra vez nem pleno semi ataque de pânico. Eram dezenas e dezenas de alforrecas de várias formas e feitios, quase à tona da água! Os meus esforços em desviar-me delas para que não me tocassem na cara ou nas mãos revelavam-se infrutíferos e a última coisa com que eu me preocupava era em ver os peixes lá em baixo, já só queria voltar o mais rapidamente possível para o barco. Que figuras, jasus.

No dia seguinte estava na hora de cada um seguir o seu rumo. O meu era Port Barton, uma pequena localidade a 4 horas de distância de mini-van de El Nido. Despedidas feitas, e estava na hora de seguir viagem. Lá seguia eu numa mini-van com o ar condicionado ligado para temperaturas árticas. 4 horas depois chegava a Port Barton, o último destino da minha viagem pelas Filipinas. O que encontrei em Port Barton foi exatamente o que estava à espera: um pequeno refúgio zen, com alma hippie, onde todas as estradas eram de terra batida, as crianças corriam pela estrada na ida ou vinda da escola, e o ritmo era tão leve-leve como o que encontrei em São Tomé há uns meses atrás. Foi aqui que tive a certeza que não poderia ter escolhido melhor destino para uma altura na minha vida em que precisava mesmo de acalmar a alma. 🙂 Tudo aqui correu exatamente como eu esperava. O hotel onde fiquei (um conjunto de bungalows chamado Russel’s Place, localizado no fim de Port Barton) foi o refúgio perfeito durante 4 dias – apesar de simples, foi sem dúvida a escolha acertada, com todo o conforto necessário e onde acabei por conhecer algumas pessoas fantásticas, como a Emma e o Alex, um casal inglês impecável, com quem acabei por partilhar alguns momentos durante os meus 4 dias por lá.

Tranquilidade, descontração e paz foi o que marcou a minha estadia em Port Barton. Todas as manhãs, pelas 9h30, depois de um pequeno almoço no restaurante junto aos bungalows, dirigia-me até à praia local onde rapidamente era abordada por alguém que se disponibilizava a levar-me de barco privado até à White Beach, uma praia quase deserta, por 200 pesos ida e volta. Ao chegar à praia, combinávamos uma hora para me irem buscar. Nunca falhavam: à hora combinada lá estavam eles. Passava habitualmente cerca de 5 horas na praia em mergulhos em águas cristalinas, na leitura do meu livro deitada nas camas suspensas entre palmeiras, a aquecer a pele sob o sol quente e a refletir na sorte que eu tinha em poder levar a vida que eu sempre quis, a fazer o que realmente gosto. Na 2ª tarde voltei a pôr-me em cima de uma prancha de paddle, algo que fiz pela primeira vez em São Tomé e que queria muito voltar a fazer. A Emma e o Alex juntaram-se a mim e acabámos por assistir ao pôr do sol em cima das pranchas, na baía de Port Barton.

No último dia, depois de um pequeno percalço com a mini-van que era suposto ir buscar-me ao hotel e que não foi, o que me levou a ter de me lançar numa correria desenfreada noutra mini-van em direção a um dos próximos autocarros que seguiam na estrada principal, a 20 kms de Port Barton, em direção ao aeroporto de Puerto Princesa (enfim, longa história), lá deixava eu este meu pequeno refúgio zen, num voo rumo a Manila de onde sairia no dia seguinte para casa.

As Filipinas foram uma das melhores surpresas que tive. Sabia que as praias paradisíacas estariam garantidas, mas nunca pensei vir a encontrar um povo tão hospitaleiro, afável e querido como o povo filipino. O regresso está garantido. Não sei quando, nem como, mas sei que voltarei um dia para explorar o resto deste paraíso das 7000 ilhas.

Até breve!

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